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Horas Extraordinárias

As horas que passamos a ler.

24
Jan11

Revivalismo

Maria do Rosário Pedreira

Tenho uma afilhada adolescente chamada Catarina que, durante anos, levava às compras numa manhã de Dezembro para que escolhesse o seu presente de Natal (e nunca vi ninguém experimentar tanta roupa em tão pouco tempo). Não é filha única e, nesse périplo por lojas e mais lojas de um determinado centro comercial, eu aproveitava para a inquirir sobre os desejos da irmã seis anos mais nova e para comprar, também para esta, uma prenda adequada. Este ano, curiosamente, foi-me poupada a difícil jornada colombiana, porque a Catarina me transmitiu que preferia dinheiro vivo a embrulhos – e, francamente, fiquei bastante feliz com a decisão. Era, mesmo assim, preciso contemplar a sua irmã Maria com aquilo a que a minha avó chamava «uma lembrança» e achei por bem fazer alguma investigação para não disparar a seta para demasiado longe do alvo. Foi-me dito que lhe comprasse um dos livros d’As Gémeas, de Enid Blyton (que eu própria li em miúda e que agora estão a ser editados com umas capas magníficas pela Oficina do Livro), ou o também recentemente tirado da hibernação Os Desastres de Sofia, da Condessa de Ségur, que fez as delícias das raparigas de muitas gerações antes da minha, mas eu ainda apanhei como leitura aconselhada por mãe, avó e irmã. Com tanto livro novo português e estrangeiro a sair todos os meses em Portugal, é no mínimo curioso este revivalismo, até porque o colégio interno é coisa que deve parecer às miúdas dos nossos dias uma parcela do mundo congelada no tempo. Mas as vendas, segundo sei, mostram que há livros que nunca passam de moda e que, por muito que as capas mudem, o que lá está dentro serve os leitores de todas as épocas.

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