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Horas Extraordinárias

As horas que passamos a ler.

25
Jan11

Há males necessários?

Maria do Rosário Pedreira

Recentemente, li um interessante artigo na revista Lire, da autoria do escritor Frédéric Beigbeder, intitulado «Editor, um mal necessário». Contava ele que as editoras em todo o mundo se têm afadigado a publicar as versões originais (antes da intervenção do editor) de alguns autores consagrados assim que eles morrem, procurando quiçá relançá-las e fazer mais barulho e dinheiro à volta delas. E constata que, por exemplo no caso de Raymond Carver, o editor foi esse mal necessário que conduziu a um texto mais perfeito, aproveitando o melhor no génio de Carver e desperdiçando o que nem era assim tão bom no autor norte-americano. Beigbeder está, porém, preocupado com o futuro dos editores e observa que os que estão no activo lêem cada vez menos e passam cada vez mais horas em reuniões. Também eu me preocupo com o mesmo e, embora teime em ler – mesmo que por vezes apenas na diagonal – tudo o que enviam, a verdade é que o excesso de reuniões, muitas das quais pouco têm que ver directamente com o que faço, me rouba um tempo imenso à leitura. Neste momento, a minha secretária tem uma pilha de originais em crescimento contínuo que não sei quando vou poder começar a desbastar. E todas as semanas me marcam mais uma reunião. Será apenas outro mal necessário?

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