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Horas Extraordinárias

As horas que passamos a ler.

31
Jan11

Uma coisa dramática

Maria do Rosário Pedreira

Toda a gente que estuda Literatura Inglesa lê nem que seja uma peça de Shakespeare, mesmo que nunca tenha a sorte de assistir a uma. E, no entanto, a literatura dramática, incluindo a de Shakespeare, pede encenação, performance e, em suma, espectáculo. Talvez por isso, mesmo quem gosta muito de ler raramente se atira a um texto de teatro e, como também se vai pouco ao teatro em Portugal, permanecerá mais pobre e ignorante em muitos aspectos. Lembro-me de, ainda muito nova, ter lido As Três Irmãs, de Tchekhov, com bastante prazer – e este prazer não advinha apenas do texto, mas também do subtexto, da novidade que era encontrar indicações de cena, como a voz sussurrada do autor russo, que mais tarde aprendi chamarem-se didascálias. Pouco depois disso, a professora de Francês mandou-nos ler A Cantora Careca, de Ionesco, e foi também uma leitura fascinante que, ainda por cima, me fez frequentemente rir até às lágrimas. Já na Faculdade, passei um ano inteiro a estudar Corneille, Molière e Racine e fiquei completamente seduzida pela Fedra, deste último, que me contaram uns amigos que moraram em França fazer parte do currículo da escola secundária e ser lida nas salas de aula em voz alta, distribuindo-se os papéis pelos alunos e valorizando-se a leitura com o objectivo de interessar os jovens pelo texto. Em Portugal, porém, a relação entre os leitores e o teatro parece mesmo uma coisa dramática...

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