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Horas Extraordinárias

As horas que passamos a ler.

25
Mar11

Companheira de luxo

Maria do Rosário Pedreira

Um dos segredos do sucesso das já famosas Correntes d’Escritas é a mescla de africanos, europeus e latino-americanos: os europeus – mais frios e contidos – dissolvem-se na quentura dos outros e, facilmente, perdem as peneiras  e a sobranceria de pertencerem ao Velho Continente. Quem lá vai, pois claro, diverte-se bastante e não raro ouve coisas imensamente divertidas como aquela história da tabuleta num prédio de Luanda que um dia Ondjaki contou que dizia: “Morais & Herdeiros (excepto o Rui).” Coitado do Rui, que devia ter sido deserdado... Este ano, foi a vez de o angolano Manuel Rui nos ter feito rir com uma das suas. Para quem não sabe, o transporte entre o hotel e o local onde se realizam as mesas-redondas faz-se de autocarro, e toda a gente se senta no primeiro banco que encontra livre, porque, como muita gente acaba por se juntar à trupe de escritores, os assentos por vezes não chegam para os convidados. No fim de uma dessas viagens, Manuel Rui virou-se para o editor Carlos da Veiga Ferreira e disse-lhe com ar sério: “Passa para cá cem dólares. Vieste a falar com a minha mulher.”

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