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Horas Extraordinárias

As horas que passamos a ler.

21
Abr11

A pequena depressão

Maria do Rosário Pedreira

Confesso que ando um bocado deprimida com a situação que atravessamos. Custa-me que tenhamos o FMI portas adentro (presumivelmente por dez anos, o que é uma vergonha) e que tenha sido possível chegarmos a este ponto. E custou-me que um capitão de Abril dissesse numa entrevista que, se soubesse que o futuro era assim, não teria lutado pela democracia. Não sei exactamente o que falhou, mas tenho a convicção de que, entre outras coisas, os responsáveis pela educação não aproveitaram a liberdade senão para, de cada vez que mudava o partido do Governo, fazer tábua rasa de tudo o que os seus oponentes haviam feito, bem ou mal. E que, por isso, há gerações que fizeram quase toda a escolaridade num caos de mudanças que em nada contribuiu para que se lesse e escrevesse melhor em Portugal. Quando ouço alguns políticos falarem, pergunto-me se já terão lido um livro inteiro, de tal forma é pobre o seu discurso. Uma vez, no Dia Mundial do Livro, entrevistaram num programa de rádio vários políticos, inquirindo-os sobre o último livro que tinham lido. Muitos responderam Os Maias – e fiquei a pensar se ainda teria sido na Escola Secundária... Como dizia Padre António Vieira: «Quem não lê, não quer saber; quem não quer saber, quer errar.»

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