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Horas Extraordinárias

As horas que passamos a ler.

12
Mai11

Mudam-se os tempos

Maria do Rosário Pedreira

Fico sempre muito irritada quando ouço dizer que antes do 25 de Abril é que estávamos bem. Já para não falar no atraso e na miséria em que os Portugueses viviam, basta lembrar que metade da população era analfabeta. E, quanto a este último ponto, tudo mudou. Há algum tempo, o Manel e eu fomos convidados por uns amigos que têm uma quintinha no Minho, perto de Guimarães, para lá passar um fim-de-semana; como iam mais pessoas, os nossos amigos pediram a uma senhora da aldeia que fosse cozinhar para nós naqueles dias. Era uma mulher dos seus quarenta e cinco anos, robusta, de bata florida e com mãos de ter trabalhado a terra. O tempo não estava grande coisa e, numa manhã, quando o Manel se levantou e foi à cozinha tomar o pequeno-almoço, comentou a chuva com a dona Rosa. E não é que, para espanto dele, ela lhe respondeu que, realmente, era uma surpresa, porque na véspera tinha ido à Internet ver o tempo e anunciavam um dia bem melhor? Lá em minha casa, quem me ajuda na lida doméstica é outra dona Rosa, uma senhora de uns sessenta anos que trabalhou toda a vida numa fábrica. Ontem, tive de ir a casa a meio do dia e encontrei-a, surpreendentemente, a ler. O quê? O romance que eu própria escrevi nos anos 90 e do qual há uma prateleira cheia no meu escritório. E já ia a meio… Achei maravilhoso. E depois digam lá que as coisas antes eram melhores.

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