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Horas Extraordinárias

As horas que passamos a ler.

27
Mai11

Maravilhosa tecnologia

Maria do Rosário Pedreira

O Manel nunca resiste a uma novidade tecnológica e, talvez porque isso se saiba por aí, foi convidado pelo jornalista José Mário Silva para comentar uma aplicação para o iPad da obra Our Choice, de Al Gore, para um artigo que saiu recentemente no semanário Expresso. Embora seja uma adoradora do livro em papel e não pense que ele venha a extinguir-se (Umberto Eco acredita que é mais fácil que se extinga o e-book), fiquei extasiada com a forma como um livro de ciência ganha realmente com esta versão: ilustrações tridimensionais, gráficos em construção, imagens em movimento, a voz do autor a explicar tudo. Pareceu-me, de facto, que esta pode ser a maneira ideal de explicar a um estudante como e porque entra em erupção um vulcão, o que é realmente um tsunami, um sismo, a chuva, a ruptura de um ligamento, o desenvolvimento de um tumor, etc., etc., etc. E, no entanto, passadas as páginas até ao final da obra (se é que podemos falar de páginas), a sensação que me ficou foi a de ter estado a assistir a um programa de televisão, e não a ler um livro. Acredito sinceramente que o mecanismo contribua para uma melhor aprendizagem de certos factos e matérias, mas ler – e, sobretudo, literatura – é outra coisa e requer uma concentração que não se compadece com estas maravilhas tecnológicas. Aliás, os números de consultas de e-books nas bibliotecas dos Estados Unidos apontam para uma percentagem de 76% dos chamados «professional books»: de medicina, direito, gestão, ciência. Parece que os leitores de romances ainda os preferem em papel. Como eu.

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