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Horas Extraordinárias

As horas que passamos a ler.

22
Jun11

Que raça de coisa

Maria do Rosário Pedreira

Leio nos jornais que Peyo, o autor dos Schtroumpfs (ou Smurfs, ou Estrumpfes, como agora se chamam em português) foi, como já acontecera ao criador de Tintim, recentemente acusado de racismo e anti-semitismo. Hergé, de resto, também já tinha sido acusado de misoginia, tendo como única personagem feminina nos seus livros uma cantora de ópera completamente histérica. Este herói apaixonante merecer-me-á um dia destes um post independente por causa de uma tese em que pus os olhos há uns tempos, mas as acusações que li no jornal lembraram-me um episódio de infância tragicómico que resolvi partilhar neste blogue. Era eu miúda em pleno Estado Novo, ainda com Salazar ao leme, e ofereciam frequentemente às meninas os famosos livros da Anita, que tinham desenhos muito perfeitinhos e eram pretensamente educativos. Entre eles, havia um que supostamente fomentava as relações inter-raciais (que raça de coisa isso das raças…), colocando em cena na vida da dócil Anita uma amiga pretinha de olhos enormes que ela convidava para um piquenique no campo. Sinal dos tempos, na ilustração em que ambas se dirigiam ao local da patuscada, a Anita caminhava ligeira e saltitante por uma alameda de mãos abanar, mas a amiga seguia-a bastante atrás, carregando pesadamente os cestos com a merenda... Imagino que, se o livro ainda se publica, hoje as duas partilhem a carga…

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