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Horas Extraordinárias

As horas que passamos a ler.

29
Jun11

Irritações

Maria do Rosário Pedreira

Há um jornalista que nunca perde uma oportunidade para me atacar directa ou indirectamente, mas fá-lo tantas vezes que acabo por pensar que me dá alguma importância. O mesmo acontece com um dos anónimos que comenta este blogue: não gosta de mim, mas, afinal, vem cá ler-me tantas vezes que, pelo menos, lhe devo essa atenção. O problema está noutro tipo de pessoas, que são muito simpáticas connosco, mas fazem um trabalho lastimável, mesmo depois de as termos tentado ajudar. Um dia destes, num artigo sobre os novos escritores para o qual dei bastantes informações por telefone, o escritor Gonçalo M. Tavares apareceu como licenciado em Matemática (que não é), o último romance de David Machado era, por acaso, um livro de contos, a apresentação de um romance que ocorre hoje realizava-se durante o fim-de-semana passado e, apesar de ali se escrever «quem não conhece o Irmão Lúcia?», referindo-se a Pedro Vieira, a fotografia na página era, na verdade, de outro Pedro Vieira, que nem sequer pertence ao mundo da literatura. No dia seguinte, mais uma: numa crítica a um livro que acabo de publicar, eram atribuídas três estrelas, mas o texto revelava bem que o seu autor não lera mais do que dois capítulos e a contracapa, que praticamente parafraseava, pois falava sempre de duas personagens (nunca chegou a descobrir a terceira) e, sendo o livro sobre escritores conhecidos (muito conhecidos), nem por um instante se deteve a falar deles. Portanto: ou não passou da página 15, ou nunca percebeu de quem se estava a falar e, nesse caso, também não deveria poder escrever sobre a literatura. Enfim, prefiro que se irritem comigo.

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