Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Horas Extraordinárias

As horas que passamos a ler.

22
Jul11

Policiais

Maria do Rosário Pedreira

Quando eu era pequena, os romances policiais vendiam-se em edições de bolso muito baratas com mau papel e letra pequena, como se não merecessem melhor. Apesar disso, a par da literatura pura e dura, eram lidos por muita gente culta e interessante, e conheço grandes vultos da nossa praça (escritores e tudo) que paparam a colecção Vampiro ao ritmo de um título por dia; talvez essas leituras estivessem, porém, ligadas ao «mero» prazer dos tempos livres e as outras a um processo de formação e aprendizagem que obrigava às boas encadernações, aos formatos mais sólidos e a uma cómoda mise-en-page. Hoje, pelo contrário, principalmente depois do sucesso de Stieg Larsson, os policiais estão a ganhar um espaço determinante – e já não é assim tão raro os suplementos culturais de jornais e revistas de grande tiragem dedicarem várias páginas a obras do género, com entrevista aos autores, tantas vezes convidados pelas suas editoras a vir a Portugal por ocasião do lançamento. Confesso que não sou uma apreciadora, e muito menos uma especialista, em literatura policial, mas não seriam os autores publicados na velhinha Vampiro mais literariamente interessantes do que estes que hoje proliferam como cogumelos? Ou será exactamente por isso, por valorizarem a intriga em detrimento da escrita literária, que têm mais público, mais vendas e, logo, direito a uma edição melhor?

17 comentários

Comentar post

Pág. 1/2