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Horas Extraordinárias

As horas que passamos a ler.

20
Set11

Carta à filha

Maria do Rosário Pedreira

Ana Cristina Silva tem-se destacado pela autoria de romances psicológicos em torno de personagens reais. Já escreveu sobre várias mulheres, entre as quais Florbela Espanca ou Mariana Alcoforado, tendo agora chegado a vez de se dedicar a Carolina Loff, nascida em Cabo Verde, onde na infância, pelas injustiças a que assistiu entre brancos e negros, lhe nasceu o sonho de tornar o mundo um lugar mais justo. Mandada para Lisboa com o objectivo de concluir os estudos, Carolina acabou a militar no Partido Comunista, sendo presa pouco tempo depois de se envolver com um jovem camarada e engravidar. A mãe cuidou-lhe da criança durante a clausura, mas quando foi libertada Carolina levou a menina para Moscovo, onde trabalhou para os altos quadros do Comintern. Chamada, porém, a desempenhar funções em Madrid durante a Guerra Civil, deixou-a temporariamente num colégio interno; e, por vicissitudes que o romance explicará, só voltou a vê-la vinte anos depois, já depois de ter sido banida do Partido por se ter apaixonado por um inspector da PIDE, com quem foi viver. Cartas Vermelhas é, pois, como uma longa carta a essa filha que cresceu sem mãe, na qual Carolina Loff – que conheceu Cunhal e muitas outras figuras de proa do Partido – se justifica e confessa, rememorando toda a sua vida na viagem de comboio que se sucede ao encontro entre ambas. Muitas vezes comovente, esta é uma obra de ficção que também merece ser lida como um documento de uma época e de várias circunstâncias.

 

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