Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Horas Extraordinárias

As horas que passamos a ler.

27
Out11

Agustina

Maria do Rosário Pedreira

Um olhar muito vivo e um discurso calmo mas decididamente desarmante, uma inteligência fina e uma atracção por coisas boas (uma carteira de crocodilo, por exemplo, comprada na Suíça na minha presença – e quanto custou!), são tudo características que recordo da figura. Vi recentemente no jornal que Agustina Bessa Luís fez 89 anos. Talvez pela situação em que se encontra – afectada na sua capacidade criativa por uma doença, tanto quanto sei, irreversível –, Agustina não tem sido muito falada nos nossos meios de comunicação nos últimos tempos, embora não se possa obviamente dizer que já foi esquecida. A verdade, porém, é que, nesta fogueira de vaidades que é o nosso meio artístico, quem não aparece arrisca-se a ser riscado do mapa – e isso seria grave para uma autora como ela. Ignoro se os jovens continuam a ler A Sibila na escola secundária (espero que sim), mas, para quem não teve ainda oportunidade de tomar contacto com a senhora do Norte, essa é talvez a melhor obra para começar; de qualquer modo, Agustina foi relativamente prolífica e não faltarão títulos a que deitar a mão. O que não podemos é esquecer o que escreveu por ela estar de algum modo retirada, pois trata-se de uma das mais importantes vozes literárias do século xx.

16 comentários

Comentar post

Pág. 1/2