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Horas Extraordinárias

As horas que passamos a ler.

24
Jun15

A faca que une

Maria do Rosário Pedreira

Para começo de conversa, diria que nunca fui fã de Murakami (li dois romances e, como não me empolgaram, não reincidi), mas gosto muito da sua tradutora portuguesa. E não só como tradutora, mas como pessoa, que é o que mais interessa na vida (sobretudo na minha, que raramente preciso de tradutores). A Maria João Lourenço era minha colega na edição quando eu fui para a LeYa em 2010, mas pouco depois resolveu ir para casa traduzir a tempo inteiro e, por isso, falamo-nos e vemo-nos pouco. Nem isso, porém, a afastou do que faço e escrevo, e muito menos de ser a pessoa atenta e carinhosa que era antes. Um dia destes, numa daquelas entrevistas dadas ao telefone a correr, em vésperas da abertura da Feira do Livro de Lisboa, um jornalista do i fez-me umas quantas perguntas simples, entre elas, qual era o livro que eu nunca tinha conseguido comprar. Lembrei-me logo de A Faca não Corta o Fogo, de Herberto Helder, que outra ex-colega, a Ana Pereirinha, me emprestou por uns dias para lá pousar os olhos na altura em que saiu, mas que nunca tive na estante (nem o Manel). E um dia destes, vinha eu do almoço, encontro na minha secretária um envelope trazido em mão de casa da Maria João Lourenço pela minha colega Cristina Lourenço. Pois não é que era A Faca não Corta o Fogo? E ainda por cima com recortes de jornal com críticas ao livro, que a antiga dona juntou, dizendo que ficava feliz por me oferecer um livro muito lá de casa? Ainda estou sem palavras. E, agora, como é que se retribui um gesto destes? Além de boa tradutora, estamos perante uma boa pessoa, uma excelente pessoa. Tenho a impressão de que vou ter de ler todos os Murakami que traduziu para retribuir.

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