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Horas Extraordinárias

As horas que passamos a ler.

04
Jul17

A importância de se chamar...

Maria do Rosário Pedreira

Acaba de sair para o mercado um livro intitulado Os Apelidos Portugueses, de Carlos Bobone, que é decerto bastante oportuno, tendo em conta que os Portugueses são muito ciosos de alguns dos seus apelidos, mesmo num mundo cada vez mais informal. Mas não espere uma lista de nomes e a explicação da origem de cada um, pois não é nada disso. Mais interessante, a obra conta como os apelidos surgiram ao longo do tempo – muitas vezes baseados no nome do progenitor (Rodrigues, filho de Rodrigo), mas também inspirados nos nomes de terras ou lugares donde as pessoas eram oriundas (da Maia, como o protagonista do Eça), em alcunhas, maneiras por que as pessoas eram conhecidas (conheço uns Bastos que moravam numa calçada e acabaram sendo os Calçada Bastos), títulos, etc. De três apelidos simples em 1932 (um da mãe e dois do pai), em 1958 passámos a poder usar quatro apelidos simples e, em 1997, quatro apelidos simples ou compostos (nomes como Castelo-Branco ou Espírito Santo) a que podem ainda somar-se os dos cônjuges (até quatro, parece-me!). E a ordem é hoje muitas vezes arbitrária, porque as famílias querem manter certos apelidos finos e, por vezes, se só há raparigas, está tudo tramado. Do mesmo modo, há irmãos que vão buscar apelidos diferentes aos pais – e até filhos que têm apelidos de avós que os pais não têm. Enfim, a obra, que conta muita da nossa mania das fidalguias sobretudo com os «de» e os «e» para tornar os apelidos mais sonantes, conta a história de um senhor que se apresentou na casa de outro como D. Luiz Fernandes de Rello de Vasconcelos e Menezes. Ouvindo esse nome comprido ao mordomo, o anfitrião comentou que eram precisas então várias cadeiras... Vale a pena espreitar, pois aprende-se sempre qualquer coisa.

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