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Horas Extraordinárias

As horas que passamos a ler.

05
Fev16

Bilinguismo

Maria do Rosário Pedreira

 Os filhos de uns amigos portugueses que foram trabalhar para o estrangeiro quando a crise lhes bateu à porta já não falam praticamente português; percebem tudo, e respondem aos pais com monossílabos ou dissílabos internacionais (Okay, Ja, Yes...) ou uns refilares bem lisboetas, mas entre eles e na escola já só comunicam em inglês, pelo que vão provavelmente esquecer a língua materna não tarda nada Acontece muito a quem vive e estuda fora desde pequeno e, mesmo que seja uma pena – eu cá sempre adorei o bilinguismo –, é quase inevitável. Nos EUA, onde há muitos luso-descendentes, mais concretamente em Brockton, no Massachusetts, uma escola resolveu, porém, tentar emendar a mão. Num programa que contempla exclusivamente crianças oriundas de famílias de expressão portuguesa, experimenta-se agora aquilo a que a directora chama a «imersão» no português, leccionando metade das disciplinas na nossa língua e a outra metade na língua do país de acolhimento e promovendo, assim, o verdadeiro bilinguismo. A proposta pareceu agradar a vários pais, pois, ao que leio, vai ser preciso fazer um sorteio para encontrar as 50 crianças felizardas que, divididas em duas turmas, vão poder desfrutar deste ensino bilingue. Talvez seja mais produtivo do que, como vi na Suíça, mandar os filhos aprender a língua dos pais apenas uma vez por semana – e, o que é terrível, no único dia em que não há aulas...

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