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Horas Extraordinárias

As horas que passamos a ler.

22
Dez15

Bronco e analfabeto

Maria do Rosário Pedreira

Uma das coisas boas que há na edição independente é a capacidade de fazer coisas que num grupo grande passariam provavelmente despercebidas e não teriam da equipa comercial a atenção necessária. Digo isto a propósito de a Tinta-da-China ir publicar a obra completa de Fernando Assis Pacheco, o jornalista e escritor que morreu à porta de uma livraria (coisa que só lhe fica bem – digo-o sem ironia) e que, além de um poeta notável e mal conhecido, escreveu seguramente divertindo-se muito e contrariando assim a ideia de que os escritores são gente, em geral, muito deprimida. Ainda tive a felicidade de conhecer Assis Pacheco ao vivo nos anos em que dava os meus primeiros passos na edição no mesmo bairro onde ele morava, e sei que não havia televisão em sua casa, pelo que os seus filhos liam bastante. Era um homem culto, o oposto, portanto, do cowboy analfabeto que retrata em Bronco, Angel, primeiro volume da obra completa, saído recentemente para os escaparates; um livro que colige os «fascículos» que escreveu semanalmente para o jornal satírico Bisnau nos anos 1980 com o criativo pseudónimo de William Faulkingway. Humorístico, claro, o folhetim inclui em cada capítulo, à laia de post-scriptum, a suposta resposta a cartas de leitores intrigados com a autoria do folhetim, que não cessavam de avançar hipóteses, todas negadas pelo grande Assis. Não é uma obra-prima, nem pretende sê-lo, mas vale a pena ler a história deste cowboy que nasceu de catorze meses e que apanha que se farta. O prefácio é assinado pelo jornalista Carlos Vaz Marques.

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