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Horas Extraordinárias

As horas que passamos a ler.

26
Mai14

Curiosidades

Maria do Rosário Pedreira

Andamos de novo a tentar organizar as estantes lá em casa – o espaço é sempre pouco e cada vez é mais difícil encontrarmos o que queremos. Agora, foram os livros em espanhol que ocuparam, com irrepreensível atraso mas finalmente por ordem alfabética, uma estante do corredor; para isso, porém, foi preciso arranjar espaço no meu escritório para os que lá estavam – e alguns, à medida que eram tirados do sítio, pareciam que saíam de uma cartola, e não da prateleira. Foi o caso de um romance de Júlio Conrado, cuja existência quase esquecera. Em anos sucessivos, Portugal foi país-convidado de Feiras do Livro e Festivais Literários (pelo meio, Saramago ganhou o Nobel) em Frankfurt, na Suíça, no Brasil, em Paris... E, segundo percebi, Júlio Conrado nunca foi convidado para participar em nenhum dos eventos. Vai daí, quem sabe se por indignação, se apenas por piada, escreveu um livro intitulado Desaparecido no Salon du Livre – uma paródia com «verdades, meias-verdades e muita ficção», tal como se anuncia na contracapa. Que dizer? Há outros escritores, que também não foram a lado nenhum, que reagiram de forma menos engraçada. E um que foi a todas, e que se recusou a partilhar o hotel com os confrades. Júlio Conrado tem, pelo menos, sentido de humor.

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