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Horas Extraordinárias

As horas que passamos a ler.

12
Set17

Curto e comprido

Maria do Rosário Pedreira

Nunca acreditei que o livro fosse morrer – e ele esteve já sob ameaça muitas vezes. Mas a verdade é que também nunca estive tão convencida de que ele corre agora sério perigo e será um objecto cada vez mais minoritário para um público cada vez mais diminuto (como a ópera, a dança, a fotografia?). Penso que o seu maior inimigo é o chamado smartphone, de que as pessoas estão absolutamente dependentes nos tempos que correm (crianças e jovens incluídos, o que é grave), no qual a leitura é invariavelmente rápida e não exige nem tempo, nem esforço, nem concentração; mas diz quem sabe (Timothy Snyder, autor de Sobre  a Tirania – 20 Lições para o Século XX, citado por Rui Tavares no jornal Público) que, mesmo para entender um texto curto, precisamos de ter lido livros compridos – e que, para compreender uma carta do século XVIII, por exemplo, é necessário termos lido os livros que então se escreveram. Na obra de Snyder que citei, o autor dá um conselho para o futuro: «Leiam livros.» E Rui Tavares chama atenção para o facto de poder parecer «interesseiro» um livro mandar-nos ler livros. O meu medo é que, não lendo livros que mandem ler livros, as pessoas não leiam livros. Precisaremos de frases curtas a aconselhar a leitura de obras compridas nos smartphones… Como fazê-lo?

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