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Horas Extraordinárias

As horas que passamos a ler.

05
Jan16

Desbocados e inteligentes

Maria do Rosário Pedreira

 

Chama-me a atenção o título de uma notícia publicada recentemente no Jornal de Notícias: «Dizer palavrões é sinal de inteligência.» Na verdade, como não conseguia encontrar nenhuma relação entre ser desbocado, insultuoso, agressivo e inteligente, lá tive de ler o artigo de fio a pavio para ficar a saber do que se tratava. E, bem, não era exactamente o que se vendia no título – como, afinal, acontece hoje tantas vezes nos nossos jornais, que apregoam o falso só para nos atrair para a leitura; o que se dizia era que, embora tendamos a associar o uso do palavrão a pessoas com baixo nível intelectual e mal-educadas, aquelas que têm o QI mais elevado são as que efectivamente conseguem dizer mais palavrões em sessenta segundos (o que não equivale a dizer que usar palavrões seja sinal de inteligência). Tanto quanto percebi, as pessoas mais inteligentes são as que conseguem, em sessenta segundos, dizer mais nomes comuns, mais nomes de animais e… mais palavrões, segundo um estudo sobre fluência vocabular realizado por dois psicólogos americanos. Portanto, talvez o título da notícia devesse ser a relação que existe entre inteligência e fluência vocabular – seria mais honesto, embora, claro, talvez não atraísse tantos leitores curiosos; e, quanto a esta conclusão dos psicólogos, tenho também muitas dúvidas sobre a sua validade: é que conheço muitos tímidos que, numa prova deste tipo, não seriam capazes dizer um monte de palavrões em sessenta segundos, embora seguramente os conhecessem. Os tímidos terão um QI inferior? Não me parece.

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