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Horas Extraordinárias

As horas que passamos a ler.

11
Fev14

Dizer e ouvir

Maria do Rosário Pedreira

Nos anos 1990 lembro-me de comprar muitos CD da (eu dizia «dos») Penguin Café Orchestra, sem nunca chegar a investigar donde vinha o nome desse grupo de músicos. Curiosamente, descobri há pouco tempo existir no Porto um café chamado Pinguim – quiçá apenas uma coincidência, quiçá um estabelecimento de alguém que também ouvia com prazer aquele som. Em todo o caso, a música de que quero falar agora é a das palavras, porque neste Café Pinguim diz-se poesia há vinte e cinco anos todas as segundas-feiras. A ideia nasceu com o falecido crítico e poeta Joaquim Castro Caldas, que ali começou a recitar Pessoa e Almada e acabou por criar o vício de dizer poesia a muitos outros, autores e actores, que levavam livros debaixo do braço e esperavam a ordem do mestre para os ler. Valter Hugo Mãe, Filipa Leal ou Daniel Maia Pinto Rodrigues, todos poetas com obra publicada, começaram ali naquela espécie de laboratório, e até hoje são visitas regulares do Pinguim. Infelizmente, Castro Caldas não está já neste mundo para ver a colectânea de poemas, Antologia da Cave, que foi lançada recentemente na Biblioteca Almeida Garrett (na Invicta) para comemorar os 25 anos de leituras no Café Pinguim, mas substitui-o o actor Rui Spranger, que hoje é quem comanda as hostes. Fazia-me falta um café assim em Lisboa, pois gosto de dizer poesia, minha e de outros, e na capital não conheço onde se possa fazer tal coisa num dia certo e, claro, com público. Quando for ao Porto, espero poder dispor de uma segunda à noite para ir ao Pinguim e, entretanto, vou ouvir os meus velhos CD que têm, aliás, belíssimas capas.

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