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Horas Extraordinárias

As horas que passamos a ler.

26
Out15

Dois em um

Maria do Rosário Pedreira

Escrevemos certamente por muitas razões e não as sabermos nomear é, segundo Duras, justamente uma delas, ou a mais forte. Mas há quem saiba muito bem porque escreve determinadas coisas. É o caso do ficcionista irlandês John Banville, um dos vencedores do Booker Prize com o romance O Mar aqui há uns anos, que, depois de começar a ler os policiais de Simenon em 2004, ficou de tal modo fascinado que criou um pseudónimo – Benjamin Black – só para poder escrever ele próprio policiais que gostaria que fossem tão bons como os do mestre. (Banville diz inclusivamente que Georges Simenon deveria ter ganho o Nobel da Literatura, mas Estocolmo raramente premiou um autor de policiais, se bem que os haja mesmo bons e prolixos, como Simenon e Agatha Christie, por exemplo). Ora, os herdeiros de Raymond Chandler contactaram o romancista irlandês, propondo-lhe que escrevesse uma nova aventura com o herói Philip Marlowe; e, como a mãe de Chandler era irlandesa, Banville (ou Benjamin Black, como queiram) viu aí uma possibilidade de espalhar referências ao seu país no livro, intitulado A Loura de Olhos Negros. Mas o autor literário diz que o autor de policiais é apenas honesto e despretensioso, um artesão, mas não um artista. Black escreve no computador, e Banville numa velha máquina de escrever. Qual vende mais livros? Pois, Banville aparentemente gosta de ganhar o dinheiro que Black lhe rende e divertiu-se tanto que tem vontade de escrever mais policiais.

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