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Horas Extraordinárias

As horas que passamos a ler.

19
Jan15

Eça no prato

Maria do Rosário Pedreira

Todos os que leram Eça sabem que a comida tem uma grande importância em muitos dos seus livros – n’Os Maias, por exemplo, é descrito em pormenor um jantar em casa da Condessa de Gouvarinho, e alguns dos padres d’O Crime do Padre Amaro são mesmo uns lambões (lembro-me ainda dos arrotos de um deles no confessionário). Pois está de novo no mercado o livro Comer e Beber com Eça de Queirós, cujas receitas são assinadas pela grande Maria de Lourdes Modesto (que as elaborou tendo em atenção os vários pratos referidos na obra do romancista) e é prefaciado pela estudiosa Beatriz Berrini, que explica que, em Eça, a comida marca também, de forma decisiva, as diferenças de classe pela oposição da escassez à abundância (e como comem alguns, meu Deus!). Os 50 pratos incluem coisas tão populares como ovos com chouriço, cabidela ou bacalhau com grão (numa clara homenagem à cozinha tradicional portuguesa, que é a preferida das personagens aristocráticas queirosianas), mas também coisas bastante mais sofisticadas, como um consommé frio com trufas (para falar do exotismo de alguma gastronomia internacional, provavelmente saboreada pelo romancista em Paris) ou tão risíveis como, riam-se, os «folhados do cocó» E porque não experimentar também a comidinha de Eça, se ele nunca nos desiludiu noutros campos?

 

P.S. Já depois de ter escrito este post, encontro um artigo no Público em que a autora das receitas diz que nem sequer teve conhecimento desta reedição e pede que tirem o livro do mercado (a editora, por seu turno, diz que os direitos são da Fundação Eça de Queirós, mas que Maria de Lourdes Modesto estava ao corrente).

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