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Horas Extraordinárias

As horas que passamos a ler.

27
Jun14

Electricidade

Maria do Rosário Pedreira

Bem sei que os leitores deste blogue não são muito dados à poesia – e gostam de passar à frente quando aqui venho elogiar ou publicitar um livro de poemas; mas eu é que não posso deixar de o fazer, sobretudo quando tenho a certeza de que, se se dessem ao trabalho de conferir a minha opinião, muitos dos extraordinários se tornariam fãs do género ou, pelo menos, de algum dos poetas que aqui refiro. Pois hoje é um desses posts que vos ofereço – e não vale passar adiante, não só porque a matéria é preciosa, mas porque não é todos os dias que podemos louvar o aparecimento de uma nova voz. E esta é, de muitas que têm surgido nos últimos anos, realmente especial. Os suplementos literários já lhe dedicaram encómios q.b., mas nunca é demais apresentar Matilde Campilho e o seu Jóquei aqui nas Horas Extraordinárias, até porque cavalga bem, sendo quase uma revolução o pó que levanta nas suas páginas. Completamente diferente de tudo o que li em português (língua que a autora reinventa e mistura tranquilamente com outras sem nada ranger nunca), este livro tem uma electricidade de que ninguém se consegue desligar, está cheio de uma energia que, aparentemente coloquial (e que bem lhe fica esse tu-cá-tu-lá), logo se vê culta e profunda, mas – é bom dizê-lo – sem excesso de peso. Muito brasileiro também – a autora viveu no Brasil uns quantos anos e soube roubar ao português de lá uma graça que reproduz sem imitar. Enfim, uma lufada de ar fresco muito rara nas nossas letras, que é preciso receber de frente, na cara, como estalada que nos acorda para podermos aproveitar o dia que aí vem. E dizem que já esgotou a primeira edição, o que só podem ser boas notícias.

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