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Horas Extraordinárias

As horas que passamos a ler.

26
Jan16

Elizabeth Taylor e os gémeos

Maria do Rosário Pedreira

Quiçá por deformação profissional, sempre que leio romances brasileiros contemporâneos, sinto que ficam aquém dos escritos pelos escritores portugueses da mesma idade e importância. E, porém, apaixonei-me por Do Fundo do Poço Se Vê a Lua, de Joca Reiners Terron, que estará nas livrarias esta semana e toca a mesma questão tratada num filme que está a ter muito boa crítica: A Rapariga Dinamarquesa. Depois da morte da mãe – perseguida e torturada pela ditadura militar –, os gémeos idênticos William e Wilson são criados numa redoma pelo pai, actor e encenador num teatro decadente. As semelhanças entre os irmãos são, porém, apenas físicas: enquanto William é bruto, acomodado e taciturno, Wilson é sensível, carente e obcecado pela figura de Cleópatra desempenhada por Elizabeth Taylor. No dia em que os jovens fazem dezoito anos e podem, finalmente, deixar a casa paterna, uma misteriosa tragédia abate-se, porém, sobre toda a família. Numa trama surpreendente que envolve amnésia, dança do ventre, comércio sexual e assassinatos, William receberá vinte anos mais tarde, da cidade do Cairo, um postal de Wilson. E não precisa de muito para saber que se trata de um pedido de socorro… Com um estilo ao mesmo tempo cómico e violento, poético e digno da melhor pulp-fiction, Do Fundo do Poço Se Vê a Lua é uma história admirável sobre como o amor fraternal resiste ao tempo, às diferenças e à ameaça constante da morte.

 

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