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Horas Extraordinárias

As horas que passamos a ler.

02
Mar17

Em desuso

Maria do Rosário Pedreira

Já há muito tempo que não dedicava um post a palavras ou expressões que caíram ou estão a cair em desuso; e foi porque o Manel chamou a alguém à minha frente «rapioqueiro» – aplicável a quem gosta de folia – que, de repente, me lembrei do assunto e resolvi recolher alguns termos de que gosto e já raramente ouço por aí.  Os sinónimos apresentados para «rapioqueiro» no Dicionário Priberam são, de resto, quase todos pouco correntes nos dias de hoje, como «pândego», «patusco» (que gosta de «patuscadas»), «gaiteiro» ou «farrista». O «pândego», vocábulo que a minha avó usava frequentemente para designar alguém que fazia rir e se sabia divertir, levou-me a outros com que ela me definia em criança e que acho estarem também a desaparecer, pelo menos da boca dos mais jovens: «rabina», «arisca», «diabrete», «mafarrica» e «levada da breca». Esta última expressão era utilizada por ela não só com o sentido de «travesso» ou «irrequieto», mas também com a acepção de «desembaraçado» ou «despachado». Aos saloios, a minha avó chamava «pategos» – já não ouço ninguém dizer isto há que tempos, mas o termo constava daquele excerto do Júlio Dantas que mostrei aqui no blogue há dias; e também se servia de uma palavra que aprecio muito – «ratatinhado» –, que nenhum dos dicionários que consultei regista (com muita pena minha), referindo-se a coisa mal feita, apressada, atamancada ou a uma roupa que devia ser o número acima. Acrescento ainda a palavra «cotomiço» (alguém pequeno) e a expressão «já a formiga tem catarro» (esta ainda se usa, creio, mas é um achado). E, por hoje, é isto.

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