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Horas Extraordinárias

As horas que passamos a ler.

19
Mar14

Em greve

Maria do Rosário Pedreira

Um dia destes, estava a pensar em greves (não ao blogue, fiquem tranquilos) e comecei a perceber que, excepto no caso francês, a palavra para dizer a coisa era muito diferente da portuguesa nas línguas todas que conheço e, portanto, não tinha uma origem comum. Fiz uma curta investigação e descobri que «Grève» era, efectivamente, o nome de uma praça em Paris (assim se chamava por ter gravilha) aonde iam os que não tinham trabalho para serem contratados à jorna. Porém, quando iam com quem os contratava e lhes desagradavam as condições, regressavam à praça à procura de nova oportunidade, pelo que «estar em greve» acabou por significar o abandono do trabalho por um salário mais justo. Em Espanha, a palavra para greve é «huelga» e está relacionada, no fundo, com «folga» (de «fole», calculem, porque se respira fundo depois de uma grande fadiga), dia em que não se trabalha (e, curiosamente, o verbo latino donde vem a palavra huelga descambou também para a palavra que quer dizer fo… fornicar, já que nuestros hermanos não brincam em serviço, mas nas folgas gostam de se divertir). Para os italianos, o termo é «sciopero», mais uma vez muito distante da nossa «greve», mas infinitamente mais lógico na sua composição, vindo do latim ex operare, ou seja, deixar de trabalhar. Por fim, em inglês, temos a expressão «on strike» e, embora o verbo to strike não apele ao espírito da interrupção laboral com vista à reivindicação de melhores condições, a verdade é que, lá nos confins de um dicionário, li que «striking» também era o movimento de baixar as velas para mostrar que não se queria ir ao mar e, portanto, tudo tem a sua explicação. Os meus quatro anos de alemão e um de neerlandês não chegam para brincar à etimologia com as greves destas línguas (também deve haver menos greves a norte, digo eu), mas talvez a extraordinária Cristina Torrão nos possa elucidar, pelo menos no caso alemão.

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