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Horas Extraordinárias

As horas que passamos a ler.

20
Mai14

Top Ten

Maria do Rosário Pedreira

Todas as semanas consulto os Top de vendas nacionais e os de algumas livrarias (a FNAC, a Bertrand, a Bulhosa...) – e é espantoso verificar como o que se vende mais não tem, grosso modo, que ver com o que é literário e, muito provavelmente, com o que ficará na História da Literatura e continuará a ser lido daqui por cinquenta ou cem anos. Por outro lado, constato que os escritores, verdadeiro motor da literatura, têm frequentemente gostos muito diferentes dos leitores-consumidores de livros e que, interrogados sobre o seu Top Ten, enumeram quase sempre títulos que hoje talvez nunca chegassem às listas dos mais vendidos. Peter Zane resolveu tirar teimas e pedir a 125 escritores contemporâneos anglo-saxónicos que fizessem a lista dos seus 10+. Entre os autores chamados a opinar, estavam ficcionistas como Norman Mailer, Jonathan Franzen ou Joyce Carol Oates – e, ainda que as obras do século XX referidas pelo conjunto tenham ultrapassado as 500, o verdadeiro Top Ten do Século XX acabou por incluir duas vezes Joyce e outras duas Nabokov, o que é uma surpresa, sendo que a obra mais vezes indicada – e portanto a número 1 – foi mesmo Lolita. A seguir vinham O Grande Gatsby e a eterna Recherche, Gente de Dublin e Ulisses, O Som e a Fúria de Faulkner e Rumo ao Farol de Virgínia Woolf (curioso também, porque a sua obra «escolhida» é normalmente As Ondas). Nos últimos lugares dos dez, surgem então os contos de Flannery O’Connor e Fogo Pálido, o outro Nabokov. Perguntassem a escritores francófonos e talvez fossem em menor número as obras escritas originalmente em inglês... Porém, no que toca ao século XIX, Tolstoi continua a bater os recordes com Anna Karénina, o livro mais votado pelos 125 interrogados, e só aparece um livro em inglês em quarto lugar, As Aventuras de Huckleberry Finn, de Mark Twain, sendo que o título que vejo aparecer mais frequentemente em listas deste tipo, Crime e Castigo, vem apenas em nono lugar. Fico a pensar como votariam os escritores portugueses se por acaso alguém se desse ao trabalho de lhes pedir os seus Top Ten.

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