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Horas Extraordinárias

As horas que passamos a ler.

07
Set17

Epístolas

Maria do Rosário Pedreira

Quando era jovem, escrevia muitas cartas. Cartas de amor, claro, sobretudo se me encontrava a passar férias com a família longe do namorado; mas também cartas aos amigos durante o Verão e cartas aos colegas que tinham ido viver para outros países (o que era comum na minha geração). Tinha especial cuidado com o que escrevia, fazia um rascunho e depois passava a limpo, e fazia os possíveis por que essas cartas fossem, se quiserem, algo literárias, e não meia dúzia de frases banais só para dizer «olá» e «saudades» (para isso existiam os postais ilustrados, que também, julgo eu, já pouco se mandam). A emergência do digital matou, no fundo, a correspondência (o meio não favoreceu este cuidado de que falei, antes uma rapidez de escrita e leitura que não se coaduna com a atenção e o tempo que a velha correspondência exigia); como dizia um dia destes a reitora da Universade Católica Portuguesa numa entrevista, «a ausência de pegada mediática torna o indivíduo invisível» e, por isso, a literatura epistolar tende a desaparecer nas próximas décadas, o que é uma pena. Porém, ainda se vão encontrando boas surpresas – e durante a última Festa Literária de Paraty (a famosa FLIP) foi lançada a compilação de uma troca de cartas entre Saramago e Jorge Amado com o belo título Com o Mar por Meio; segundo dizem, uma «curta mas tocante troca de inconfidências» entre dois grandes escritores do século XX. A publicação é da Companhia das Letras. Valha-nos este tipo de lançamentos.

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