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Horas Extraordinárias

As horas que passamos a ler.

16
Nov15

Equivalências

Maria do Rosário Pedreira

Mia Couto é um grande escritor de língua portuguesa – e um escritor amplamente reconhecido lá fora, vencedor e finalista de prémios muito importantes (como o Man Booker International, por exemplo). Sempre me perguntei, porém, como seriam as traduções dos seus livros, uma vez que o prodigioso Mia é também um inventor da língua, de termos que poderíamos adoptar assim que os lêssemos na sua obra, como – só para dar um exemplo – «esparramorto» (nunca mais me esqueci desta palavra depois de a ter saboreado em A Varanda do Frangipani). Talvez os seus tradutores saibam mesmo muito português, conheçam a palavra «esparramado» («morto» hão-de conhecer), consigam encontrar uma equivalência qualquer que não perca a graça; mas o resultado não será, decerto, tão gostoso e imediatamente compreensível noutro idioma, mesmo românico. Agora, o escritor moçambicano está a escrever uma trilogia dedicada a Gungunhana – A Mulher de Cinzas já foi, aliás, publicado – e, tanto quanto me foi dado saber por uma entrevista recente, deixou-se das suas palavrinhas mágicas para se centrar noutras coisas. Mesmo assim, não resistiu a dizer que o que fazia ao escrever era «brincriar»... Mais uma para a colecção.

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