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Horas Extraordinárias

As horas que passamos a ler.

19
Out15

Escritaria

Maria do Rosário Pedreira

Hoje estou aqui de rastos, depois de quatro dias de Escritaria, a caminhar pelas ruas cheias de arte urbana dedicada a Mário Cláudio, o homenageado deste ano, a visitar exposições sobre a sua vida e a sua obra, a ouvir conferências mais académicas e testemunhos mais pessoais sobre o escritor e o homem, o parente e o amigo. Estou que não posso e ainda é só segunda-feira, mas adorei a festa, o carinho de toda uma cidade motivada para gostar de literatura portuguesa ao longo de uns dias em que Mário Cláudio foi muito mimado por jovens actores, jovens músicos, pintores seniores e simples curiosos penafidelenses (penso que é assim que se diz). Claro que ele merece, mas a verdade é que há muito não o via tão bem-disposto, cheio de humor e histórias para contar, uma das quais aqui vos deixo. Tendo ele começado a escrever poesia bastante jovem, dava-se o caso de a família passar umas curtas férias no mesmo local em que Régio fazia uns dias de repouso. Ora, o promissor poeta armou-se de coragem e resolveu que haveria de conseguir a opinião do poeta estabelecido sobre os seus escritos. Arranjou quem lhe proporcionasse o encontro como se fosse por acaso e lá conseguiu estar frente a frente com José Régio. Disse-lhe então ao que vinha, pois claro: queria que ele lesse o que andava a escrever. “São versos?”, terá perguntado o mais velho. “É que de versos estou eu farto.” E, sem pensar, respondeu Mário Cláudio: “É natural, já escreveu tantos.”

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