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Horas Extraordinárias

As horas que passamos a ler.

11
Dez15

Escritores de fundo

Maria do Rosário Pedreira

Leio um interessantíssimo artigo no The Atlantic sobre a grande tradição que tem a corrida e o jogging no meio dos escritores, passados e presentes. Jonathan Swift, o autor de As Viagens de Gulliver, por exemplo, era capaz de correr meia milha de duas em duas horas; e a autora de Mulherzinhas confessou no seu diário sentir um prazer tão absoluto em correr que achava ter sido veado ou cavalo noutra reencarnação… Correr dá uma possibilidade única de liberdade e fuga com um propósito definido e, além disso, ajuda a pensar. Joyce Carol Oates alternava a corrida com a escrita quando confrontada com problemas de estrutura da narrativa que tinha em mãos, enquanto Don DeLillo dizia que, depois das longas sessões matinais a escrever, correr o ajudava a sair do mundo ficcional para o real. Segundo o artigo, a acumulação de quilómetros reflecte a acumulação de páginas, e ambas as formas de libertação de energia contribuem para uma sensação de alegria e auto-satisfação. Através da corrida, os escritores aprofundam a sua capacidade de se focar numa única tarefa – seja palavra após palavra, seja quilómetro após quilómetro. Murakami, apesar de ter então já três livros publicados, revelou que só teve a certeza de que conseguia chegar à última linha de um livro quando começou a fazer jogging. Muitos outros escritores inquiridos explicam que é sempre enquanto correm que conseguem resolver impasses nas suas obras.

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