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Horas Extraordinárias

As horas que passamos a ler.

08
Jun17

Exclamar!

Maria do Rosário Pedreira

Confesso que embirro bastante com pontos de exclamação, mais ainda se forem constantes. Uma frase precisa, por vezes, de ser exclamativa, mas uma narrativa coberta de pontos de exclamação faz-me sempre pensar num diário adolescente («Estou tão triste! Ninguém gosta de mim! Os meus pais não me compreendem!»). Leio um artigo sobre a matéria, no Atlantic Daily, no qual nos dizem quantos pontos de exclamação usaram grandes escritores ao longo da sua carreira. Elmore Leonard, nas suas 10 Regras para Escrever, aconselha a não usar mais de dois ou três por cada 100 000 palavras; porém, nos seus mais de 40 romances, que totalizam 3,4 milhões de palavras, deveria ter usado apenas 102, mas parece que usou mais de 1600... Mesmo assim, a sua média é muito baixa: 49 pontos de exclamação em cada 100 000 palavras; Joyce, com apenas três romances, conseguiu uma média de 1105, Fitzgerald de 356, Hemingway de 59, Salman Rushdie de 204, Virginia Woolf de 258, Jane Austen de 449. Nenhum destes escritores é conhecido por ser especialmente exclamativo, e porém... Espero que ninguém se lembre de contabilizar os pontos de exclamação de Shakespeare – ou a regra de Leonard cairá por terra, obrigando-me também a rever a minha embirração.

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