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Horas Extraordinárias

As horas que passamos a ler.

16
Mai17

Exercício sobre o futuro

Maria do Rosário Pedreira

Nuno Gomes Garcia, que há uns anos foi finalista do Prémio LeYa com um romance que acompanhava as aventuras de Pêro da Covilhã até às terras do Preste João (O Dia em que o Sol Se Apagou), vira-se desta feita para um tempo em que a sociedade está desumanizada desde que uma certa Marine terá alcançado o poder, transformando a França numa nação totalitária, mecânica, fria e demasiado padronizada. São as mulheres agora «donas» dos homens, reduzidos à condição de escravos – machos domesticados que, vivendo no medo e na ignorância, lavam, cozinham, obedecem, calam, saem à rua cobertos da cabeça aos pés pelos seus cache-tout (metáfora muito conseguida das burkas). Neste cenário, a cidadã Francine Bonne é aconselhada pelas autoridades a escolher um segundo marido, depois de Pierre ter sido considerado um peso morto; mas desconhece que, ao trazer para casa um macho que foge ao cânone e cuja origem está envolta em mistério, a sua vida e a de Pierre sofrerão uma absoluta transformação, a ponto de o regime se sentir abalado com a possibilidade de um suposto retrocesso civilizacional… Amores proibidos, subversão, crime, reeducação coerciva – tudo se combina magnificamente neste romance a um tempo sensual e cerebral: uma distopia à maneira de 1984, de George Orwell, que reflecte de forma lúcida e desafiante sobre as problemáticas que caracterizam a sociedade actual. Acaba de sair.

 

AF_O Homem Domesticado K_3D.jpg

 

 

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