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Horas Extraordinárias

As horas que passamos a ler.

27
Fev14

Fábrica de sonhos

Maria do Rosário Pedreira

Disseram-me que os televisores vão ter muito rapidamente ecrãs tácteis, como os dos telemóveis e dos iPad, nos quais as crianças tocarão para mudar de canal, aproximar a imagem ou ajustar o volume do som. Não me pareceu nada do outro mundo, se, na verdade, os pimpolhos dominam a técnica na perfeição (basta vê-los operar os telemóveis dos pais quando estes se distraem por instantes). Não estava, porém, à espera da notícia bombástica de que a Walt Disney – quem mais? – se prepara para, por meio de impulsos eléctricos transformados em microvibrações, oferecer aos telespectadores uma outra função, que é a de, ao passarem os dedos no ecrã, sentirem a textura do objecto ali mostrado. Mas parece que a tecnologia já foi testada e funciona mesmo. Já vejo a criançada a fazer festinhas a televisivos cães peludos (mesmo que eles não abanem a cauda em sinal de reconhecimento) e as meninas a experimentarem a suavidade da seda e dos tules das princesas dos desenhos animados; e – porque não? – as donas de casa a enterrarem os dedos naqueles turcos muito fofos que entram sempre nos anúncios a detergentes de máquina de lavar. Quiçá os adolescentes solitários se atreverão então a tactear o corpo de uma actriz famosa para depois contarem aos amigos que beliscaram a nádega da estrela... Enfim, com livros a cheirarem a chocolate e televisores macios como alcatifas, não sei que mais podemos esperar.

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