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Horas Extraordinárias

As horas que passamos a ler.

28
Jan15

Falta de jeito

Maria do Rosário Pedreira

Eu bem sei que hoje não é dia de palavrinhas (nem de expressões em desuso), mas reparo nos originais que todos os dias inundam a minha secretária que a maior parte dos candidatos a escritores (e alguns escritores também) não sabem escrever a palavra «aselha», colocando um Z no lugar do S. Acho que eu própria, em miúda, pensava que o Z é que ficava lá bem quando chamava aselha a alguém, mas devem ter-me ensinado a ortografia correcta entretanto e não voltei a enganar-me. Uma aselha é, como sabem, uma pequena asa, uma pega, uma presilha; e vem seguramente da palavra «asa» que, segundo leio algures num blogue, já se escreveu em tempos «aza» (daí «azelha», que apareceu assim escrito em Camilo, por exemplo). Mas que ligação tem uma pessoa desajeitada a uma pega, não me dizem? Pois bem, nesse mesmo blogue alguém explica que em tempos que já lá vão, no Norte do País, se chamava aselha a um grande contentor de barro sem asas (coisa estranha nomear pela ausência, mas talvez seja verdade) e que de tal forma dava pouco jeito transportá-lo que passou a dar-se esse nome a qualquer um que se mostrasse francamente desajeitado ou, por outras palavras, a uma pessoa que não tinha por onde se pegasse. Justificação científica ou não, a história tem pés (de barro ou não). Mas é hoje uma completa aselhice pôr Z em «aselha».

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