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Horas Extraordinárias

As horas que passamos a ler.

12
Mai14

Geografias

Maria do Rosário Pedreira

Os meus irmãos e eu, quando éramos pequenos, adorávamos jogar ao STOP (não sei se se lembram do que é) e, entre os temas mais apreciados, estavam os Países e as Cidades, que preenchíamos sem hesitação, fossem próximos ou distantes, mesmo quando começavam por letras esquisitas como Q ou Z. Recordo-me de conhecer capitais de países africanos que nunca estudei na escola (ler dava uma boa ajuda, mas consultar atlas também fazia parte dos tempos livres); embora hoje se calhar a disciplina de Geografia não vá muito longe, os jovens portugueses também têm hipótese de viajar mais cedo (com o Erasmus, por exemplo) e sabem localizar bastantes países num globo terrestre. Mas nos EUA, muito virados para si próprios (quando não para o umbigo do seu Estado apenas),  os habitantes ignoram a geografia mundial. Na época da guerra do Iraque, mesmo os que diziam ser claramente a favor da intervenção americana nunca sabiam onde ficava o Iraque quando lhes estendiam um mapa-múndi. E, mais recentemente, foi entregue a um grupo numeroso de norte-americanos (alguns universitários) um mapa da Europa dividido em países, mas sem nomes, para que o preenchessem. E algumas das respostas foram, como não podia deixar de ser, hilariantes. Além dos mais ou menos óbvios Reino Unido, França, Itália (a bota ajuda muito) e Rússia (o fantasma da Guerra Fria não desaparece de um dia para o outro), que quase todos assinalam correctamente, a Europa Central é descrita muitas vezes como Transilvânia e os territórios da ex-União Soviética como o país de Borat (ai, o cinema); Portugal é a Espanha ocidental ou fica em branco, e há quem ponha uma seta abarcando os países nórdicos dizendo apenas «Hot blonde people» ou «Bjork is here somewhere» ou ainda «Cold» (com alguma razão). O pior resultado acontece na zona dos países mais novos (os que ocuparam a ex-Jugoslávia, por exemplo), que ninguém sabe nomear. Pois é... A notícia revela algum escândalo e apreensão – a Europa é velha – mas saberíamos nós o lugar de cada um dos Estados norte-americanos num mapa em branco? Acho que não.

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