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Horas Extraordinárias

As horas que passamos a ler.

17
Jun15

Lá e cá

Maria do Rosário Pedreira

A Feira do Livro de Madrid começou no dia 29 de Maio – e apetece dizer «isto anda tudo ligado» porque as duas capitais ibéricas fazem as suas feiras praticamente ao mesmo tempo. Mas, se para muitos estas são uma excelente notícia, porque lá se podem comprar livros mais baratos, muitos deles a preço de saldo, a verdade é que, enquanto elas duram, as livrarias ficam às moscas e não facturam nada que se veja. O jornal El País decidiu então, para as compensar das perdas, falar de duas livrarias por dia enquanto decorria a feira de Madrid, até porque no país vizinho parece que, só num ano, 912 espaços de venda de livros (eram 4336 no total) tiveram de fechar as suas portas. E porquê? Bem, porque, com a crise, as vendas de livros baixaram drasticamente (cá também), caíram 18% desde 2011 – e estes 18% correspondem a mais de 870 milhões de euros, números impressionantes (que um dia gostaríamos de alcançar no nosso pequeno Portugal). Segundo as estatísticas, há 55% de espanhóis que declaram não ler, ou ler apenas um livro por ano (quantos serão cá, mais ainda?); e, além disso, o número de festivais culturais, nos quais participavam muitos escritores e se vendiam os respectivos livros, caiu 27% em seis anos (por acaso, julgo que em Portugal acontece o contrário e que o poder local está a saber agarrar as oportunidades de celebrar a literatura e os escritores). Enfim, lá como cá, a desgraça é grande para livreiros e editores, ameaçados todos os dias pela diminuição nas vendas. Que fazer para inverter a situação em dois países de tanga (e às vezes também da tanga)?

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