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Horas Extraordinárias

As horas que passamos a ler.

20
Jun14

Leitura e desenvolvimento

Maria do Rosário Pedreira

Quando fui pela primeira vez a Buenos Aires, fiquei completamente rendida ao respeito que os porteños têm pelos livros. As livrarias eram lindas e estavam, muitas delas, abertas até à meia-noite. Havia livros à venda por todo o lado, imensos a preço de saldo, o que facilitava a compra, mesmo em tempos de crise; e viam-se muitas crianças a ler nos jardins e adultos com livros debaixo do braço. Ao contrário de outras cidades latino-americanas, ainda de certa forma terceiro-mundistas (no Brasil também, está claro), Buenos Aires respira civilização e cultura e fiquei a saber que, na Argentina, a alfabetização generalizada começou ainda no século XIX (saber ler torna-nos, claro, mais civilizados). Também a Noruega passou de país extremamente atrasado e pobre para um dos que têm actualmente melhor nível de vida (efectivamente, um dos mais ricos de todo o mundo). E não se tratou apenas do petróleo. As pessoas – sobretudo as mulheres – foram todas ensinadas a ler há muito tempo; em dada altura, nem podiam casar-se as iletradas – por não poderem ler a Bíblia em família (a religião tinha muito peso) e porque se considerou que, não sabendo ler as bulas dos remédios, poriam em risco a saúde dos filhos... Uma lição a tirar daqui: leitura e desenvolvimento andam de mãos dadas.

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