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Horas Extraordinárias

As horas que passamos a ler.

25
Set14

Ler na retrete

Maria do Rosário Pedreira

Em tempos que já lá vão, trabalhei numa editora que publicava em Portugal, por acordo com uma congénere brasileira, algumas obras cujos direitos mundiais para a língua portuguesa tinham sido adquiridos por esta última, inibindo uma edição em Portugal. Os mercados eram diferentes, bem sei, mas mesmo assim havia uma série de livros de auto-ajuda que vendiam muito dos dois lados do Atlântico (a série Marte & Vénus, de John Gray, cujo primeiro título tinha estado mais de 250 semanas seguidas na listas dos livros mais vendidos nos EUA). Foi num título desta colecção que li (como se ninguém o soubesse) que os homens e as mulheres eram diferentes e que havia coisas tipicamente femininas e tipicamente masculinas. Não se ofendam os leitores machos deste blogue, mas entre as últimas constava o hábito de levar revistas ou livros para a retrete... E, se falo disto, não é para insinuar que, ao contrário das mulheres, os homens confundem literatura com m..., mas apenas para abordar uma notícia que a Kobo, fabricante de dispositivos de leitura digital (os e-readers que a FNAC vende), recentemente divulgou: O novo Kobo Aura H2O é à prova de água! Ora, como não nos estou a ver a ler na praia enquanto nadamos, nem de garrafa de oxigénio às costas a consultar guias de peixes enquanto realizamos pesca submarina, pergunto-me para que serve realmente um e-reader à prova de água senão para esses acidentes que têm acontecido a alguns com os telemóveis – deixá-los cair sem querer na retrete em certas alturas menos próprias... Pois bem, os homens modernos e amantes da tecnologia já podem ler e-books à vontade na casa de banho sem medo de perder o resto do livro num momento de distracção.

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