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Horas Extraordinárias

As horas que passamos a ler.

18
Dez14

Ler sempre

Maria do Rosário Pedreira

Durante doze anos, trabalhou em minha casa uma senhora que não sabia ler. Arranjávamos sempre forma de comunicar através de objectos, porque eu não lhe podia deixar um bilhetinho a pedir que me fizesse a cama de lavado ou me apanhasse a roupa do estendal; mas encontrávamos códigos em que nos entendíamos e tive pena quando ela deixou de poder ajudar-me porque éramos (ainda somos, porque a visito frequentemente) cúmplices e amigas. Ela confessou-me muitas vezes que teria adorado ir à escola e eu ofereci-me para lhe ensinar as letras, mas respondeu-me que, naquela idade, já não valia a pena. Pois leio um interessante artigo no Público, no qual se diz que a aprendizagem da leitura se pode fazer em todas as idades e que, seja em que idade for, ela melhora o desempenho visual dos novos leitores, permitindo-lhes até detectar diferenças entre objectos de qualquer género, e muito mais depressa do que acontece aos analfabetos. Ao que parece, quando aprendemos a ler, o nosso cérebro reorganiza-se e essa reorganização acontece independentemente da idade de quem está a aprender e da língua que fale. E a literacia, segundo os autores do artigo científico referido no jornal, tem como efeito imediato o aumento do rigor na discriminação de objectos semelhantes, por exemplo, ou a capacidade de reconhecer imagens num espelho – coisa, ao que consta, mais difícil para os iletrados. Já sabíamos que a leitura era boa para a saúde e a alma, mas para os olhos é mesmo uma novidade!

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