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Horas Extraordinárias

As horas que passamos a ler.

21
Dez15

Livros com receita

Maria do Rosário Pedreira

Teimo em associar este nome – Egas Moniz – a uma imagem da minha infância presente no livro de História da instrução primária: o aio de D. Afonso Henriques de corda ao pescoço com a família, pondo a sua vida à disposição na cidade de Toledo. Mas não é desse homem que falarei hoje, antes do nosso único Prémio Nobel antes de Saramago – o cientista de quem em 1949 certamente todos os portugueses se orgulharam, incluindo o ditador, e que se tornou uma figura amada pela Nação. Pois, ao que leio, Egas Moniz era um crítico feroz do regime e, pouco antes das eleições de 1953, deu uma entrevista ao jornal A República dizendo que a comédia iria repetir-se, ou seja, que ganhariam os mesmos com ou sem eleições, até porque os sectores oposicionistas não tinham sido autorizados a fiscalizar o processo eleitoral. E contou que uma das suas obras, intitulada Vida Sexual e dividida em dois tomos – Fisiologia e Patologia –, fora mandada apreender das livrarias; porém, com a popularidade trazida pelo Nobel e a pedido do editor, que alegou ficar altamente prejudicado se não pudesse vender o livro, parece que a censura tomou uma atitude bastante inovadora: a obra poderia ser vendida, sim, mas só no caso de o seu comprador apresentar ao livreiro uma receita médica! Quase apetece pôr o baraço ao pescoço depois de uma destas…

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