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Horas Extraordinárias

As horas que passamos a ler.

11
Nov15

Longe do Mundo

Maria do Rosário Pedreira

Ontem saiu para as livrarias o romance vencedor da última edição do Prémio LeYa, intitulado O Coro dos Defuntos e assinado por António Tavares. Nele, vivem-se tempos de grandes avanços e convulsões: os estudantes manifestam-se nas ruas de Paris e, em Memphis, é assassinado o negro que tinha um sonho; transplanta-se um coração humano e o homem pisa a Lua; somam-se as baixas americanas no Vietname e a inseminação artificial dá os primeiros passos. Porém, na pequena aldeia onde decorre a acção do romance, os habitantes, profundamente ligados à natureza, preocupam-se sobretudo com a falta de chuva e as colheitas, a praga do míldio e a vindima; e na taberna – espécie de divã freudiano do lugar – é disso que falam, até porque os jornais que ali chegam são apenas os que embrulham as bogas do Júlio Peixeiro. E, mesmo assim, passam-se coisas muito estranhas: uma velha prostituta é estrangulada, o suposto assassino some-se dentro de um penedo, a rapariga casta que colecciona santinhos sofre uma estranha metamorfose, e a parteira, que também é bruxa, sonha com o ditador a cair da cadeira e vê crescer-lhe, qual hematoma, um enorme cravo vermelho dentro da cabeça. Quando aparece o primeiro televisor, as gentes assistem a transformações que nem sempre conseguem interpretar… Com personagens inesquecíveis e um recurso narrativo extremamente original, um belíssimo retrato do mundo rural português entre 1968 e 1974, a homenagear o grande Aquilino.

 

Coro Defuntos K vers 2-2 3D.jpg

 

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