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Horas Extraordinárias

As horas que passamos a ler.

20
Fev15

Luz dura

Maria do Rosário Pedreira

Excepcionalmente, publico um livro na Teorema, Má Luz, de Carlos Castán, um autor espanhol que só costuma escrever contos (género em que se tornou um escritor de culto no país vizinho), mas que, ao atrever-se ao romance, mostrou que era igualmente hábil numa ficção mais comprida. A história começa com a relação de dois amigos homens desencantados com a vida, naquela idade em que começam a perceber que viveram muito (copos, mulheres, filhos de várias mulheres, drogas), mas se calhar não guardaram disso nada que agora, que começam a envelhecer, lhes valha. Um dos amigos começa até a ficar paranóico e a dizer que o perseguem e lhe querem bater, mas o outro julga que ele está apenas perturbado até ao dia em que a Polícia lhe telefona a comunicar que, de facto, Jacobo morreu assassinado. E é notável como o narrador, ainda mais só do que antes, se apropria da vida do morto, não só porque essa é a única forma de fugir à sua, mas sobretudo porque precisa de descobrir quem matou Jacobo, uma vez que não foi capaz de o ajudar a salvar-se. Uma mulher estará, claro, no centro de tudo – salvadora ou castigadora? É preciso ler esta pérola, de que João Tordo disse ser «um daqueles livros que dificilmente se esquecem, que perturbam uma noite tranquila em casa, uma tarde num café ou uma viagem de comboio.» Deixe-se, pois, perturbar.

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