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Horas Extraordinárias

As horas que passamos a ler.

11
Jul17

Mais censura

Maria do Rosário Pedreira

Comprei recentemente os direitos de tradução para português do romance de uma jovem alemã descendente de russos, romance cuja história se inicia justamente há cem anos, com a Revolução Russa, e termina com o recente golpe de estado (encenado?) na Turquia. Promete, até porque a prosa é moderna e pega nos episódios históricos pelo lado menos esperado. Mas, falando da Turquia, que é o que agora me importa, a verdade é que as coisas estão bastante difíceis para os escritores turcos. Asli Erdogan (que partilha o nome do senhor que manda na Turquia, mas pensa de maneira oposta à dele) foi há uns tempos acordada de uma sesta para lhe revistarem a casa e apreenderem todos os livros que tinha sobre curdos, acusando-a de apoiar o terrorismo. Foi presa, esteve numa solitária, e só cerca de quatro meses depois lhe deram a hipótese de se defender judicialmente. Acabou por ser libertada, mas, se for condenada no final do processo, enfrentará  provavelmente a prisão perpétua. Tendo ganho um prémio importante na Alemanha, o Prémio da Paz Erich Maria Remarque (já atribuído a outros escritores activistas como, por exemplo, a bielorrussa Svetlana Alexeievich ou o poeta sírio Adónis), pediu uma licença especial para sair da Turquia, que foi dada, mas os advogados duvidam de que o senhor Erdogan devolva à escritora o passaporte que tem na sua posse. Além disso, Asli é talvez a mais mediática, mas não a única escritora turca a ter problemas – e, ao que dizem alguns observadores, como um membro do P.E.N. Club norueguês, desde o golpe de estado que as coisas só têm piorado para quem escreve.

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