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Horas Extraordinárias

As horas que passamos a ler.

20
Mar14

Manhãs de nevoeiro

Maria do Rosário Pedreira

Pois a verdade é que, quando vêm tempos maus, lá regressa a história do nosso rei que se perdeu em Alcácer Quibir e ainda há-de vir salvar-nos, aparecendo numa manhã de nevoeiro. Sebastião, a quem Camões deu Os Lusíadas em mão, tornou-se o Desejado por nunca ter reaparecido e nos ter mergulhado no domínio espanhol durante sessenta anos. Isso já se passou há séculos – e hoje até nos damos bem com os nossos vizinhos –, mas o sebastianismo é ainda uma marca portuguesa, segundo alguns dos nossos maiores pensadores e autores, tais como Eduardo Lourenço, Fernando Pessoa, José Gil, Padre António Vieira ou António Quadros. Agora, é Miguel Real quem se ocupa do tema, na obra Nova Teoria do Sebastianismo, um interessante ensaio que recupera os escritos dos filósofos que se dedicaram a questões como as do Quinto Império ou do Encoberto e no qual, além disso, se explica o sebastianismo como inevitável para um povo que só consegue alguma coisa com cunhas ou através da sujeição a um partido político, quando não com rezas à Senhora de Fátima e sorte no Euromilhões. Isto liga-se, claro, ao recente problema da emigração dos jovens licenciados, o que torna este livro ainda mais actual e necessário. A ler, portanto, em dia de névoa ou não.

 

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