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Horas Extraordinárias

As horas que passamos a ler.

26
Jun15

Memória e a falta dela

Maria do Rosário Pedreira

Publiquei há muito um pequeno ensaio sobre a memória, de um professor de Oxford, que dizia que o nosso declínio começa quando nos falta o nome para a coisa; à mesa, por exemplo, pedimos que nos passem o... Pois, o sal, mas não nos lembramos da palavra. Acontece-me nos últimos tempos ficar muito triste por não me lembrar de um livro que li recentemente (embora me aconteça mais com filmes); ter, claro, uma ideia do argumento, mas ainda assim vaga, e já não saber o nome das personagens; de tal modo que por vezes tenho medo de falar desse livro de forma truncada, não vá o meu interlocutor achar que li apenas a sinopse ou as críticas, e não a obra. Já ouvi dizer que a leitura previne ou atrasa a doença de Alzheimer – Deus queira que sim, porque, com a minha profissão, estarei então imune; e, no entanto, não só me faltam os nomes para as coisas há já vários anos (e dos nomes para as pessoas nem é bom falar) como, mais recentemente, esqueço com grande facilidade o que leio, quiçá por ler demais (sim, todos esses livros que acabo por rejeitar e nem publico). Fico, pois, com pena de não ter lido todos aqueles livros importantes que devemos ler antes de morrer naquela idade em que nunca me faltava o nome para a coisa, pois, por mais que tente agora deitar-lhes a mão e lê-los numas férias, a verdade é que sei que não os reterei como seria desejável. E, por falar em férias, na semana que vem não andarei por aqui, lamento. Vou tentar apanhar sol por uns dias longe de Lisboa. E ler, claro. Vamos lá ver, se no regresso, recordo o suficiente para vos contar. Até dia 6!

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