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Horas Extraordinárias

As horas que passamos a ler.

04
Nov15

Metamorfoses

Maria do Rosário Pedreira

No mês passado, cumpriu-se o primeiro centenário da publicação de Metamorfose, o livro mais lido de sempre do checo Franz Kafka, que conta a história de um homem que um belo dia acorda transformado em barata (é muito mais do que isto, claro, mas era só para explicar de que metamorfose se trata). Pois bem, apesar de Kafka se ter tornado uma figura de proa da literatura de todos os tempos, e de a cidade de Praga o ter – e à sua pequenina e bonita casa – como um dos ícones que mais turistas atraem, leio num blogue que na Checoslováquia o escritor nunca foi realmente muito lido. Parece que a primeira tradução para checo de Metamorfose (o original é alemão) só se fez em 1929 (o texto teve sucesso nos EUA antes de se tornar conhecido na terra natal) e, como foi levada a cabo por intelectuais anarquistas, isso gerou a ideia de que o seu autor era revolucionário (e era, mas de uma outra maneira); o problema foi que, mais tarde, quando a Checoslováquia se tornou comunista, se passou ao outro extremo, e a obra do mestre, então considerado um reaccionário, foi proibida pela ditadura. Enfim, metamorfoses que não ajudaram nada e que, pelos vistos, apesar de em 1990 se ter criado uma fundação com o nome do escritor, não levaram a que a Checoslováquia faça sequer uma comemoração oficial do centenário deste pequeno grande livro.

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