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Horas Extraordinárias

As horas que passamos a ler.

03
Jan18

Natal de todos

Maria do Rosário Pedreira

Ainda estamos a ressacar do Natal, por isso o tema está dentro do prazo de validade. É certo que todos sabemos que a festa se paganizou, se tornou puro comércio e já pouco tem que ver com o nascimento de Jesus ou a religião (aliás, todos os portugueses não crentes festejam o Natal, alguns com pompa e circunstância); mas fiquei uma vez realmente impressionada quando, numa viagem a Tóquio em finais de Novembro, encontrei lojas de produtos exclusivamente natalícios e ruas enfeitadíssimas para o Natal (numa, havia duas enormes árvores embrulhadas em gaze vermelha, que fotografei justamente por serem tão bonitas); quando perguntei ao meu anfitrião o que tinha dado aos japoneses, ele explicou-me que lá o Natal era mais um pretexto para festejar e que o costume era engatar alguém com quem passar a noite de 24 de Dezembro, coisa que os católicos achariam, no mínimo, escandaloso. Ou talvez não: é que a palavra “católico” é, afinal, bastante permissiva. Ao contrário do que se possa pensar, não vem do latim, mas do grego, que é língua de democratas: kata (junto) e holos (todos) quer, no fundo, dizer que reúne todos, que é “universal”. Por isso, para quê espantarmo-nos?

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