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Horas Extraordinárias

As horas que passamos a ler.

09
Set14

O doente opiómano

Maria do Rosário Pedreira

Sigo, em regra, a obra de autores de que gosto – e Sándor Márai é um deles. Li, por isso, um dos seus últimos romances publicados em Portugal, mais concretamente A Irmã, que é também um dos mais estranhos dos que conheço do escritor. Assim que começa, percebemos que algo vai correr mal, com o tempo terrível que se instalou e o narrador apanhado pela tempestade numa albergaria de montanha, a poucos dias do Natal. Nesse mesmo local, encontra-se um músico outrora muito famoso, que desapareceu da ribalta ninguém sabe bem porquê e que partilha com o narrador a história da doença que o afectou, impedindo-o de voltar a tocar. Diz, aliás, que escreveu um texto sobre o período da doença e promete mostrá-lo ao seu interlocutor, mas desaparece da albergaria sem o chegar a fazer. Muitos anos mais tarde, depois da sua morte, o manuscrito vem, porém, parar às mãos do narrador, seguindo a vontade expressa pelo falecido. E é esse texto que constitui a segunda parte do romance, que é uma espécie de diário do doente num hospital em Itália, onde quatro irmãs cuidam dele à vez e lhe administram morfina para as terríveis dores que um estranho vírus lhe provoca. É bastante soturno, devo avisar, e algo misterioso também, pois a recuperação do músico depende do amor e há uma voz que lhe segreda uma noite que não o quer ver morrer, mas ele ignora a qual das irmãs pertence. Talvez àquela que lhe oferece uma dose que podia ser letal... A ler, embora não seja dos meus preferidos do escritor húngaro.

 

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