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Horas Extraordinárias

As horas que passamos a ler.

22
Jul15

O eterno desacordo

Maria do Rosário Pedreira

Pois é, a discussão sobre o Novo Acordo Ortográfico (NAO) está para durar – e isto mesmo se infere da declaração do vice-presidente do Supremo Tribunal de Justiça, o juiz Sebastião Póvoas, sobre a matéria, ao dizer que a resolução do Conselho de Ministros que obrigou as escolas e todos os organismos do Estado, incluindo os Tribunais, a aplicarem o NAO é inconstitucional «a título orgânico», violou «os princípios da separação de poderes» e, entre outras coisas, não respeitou a «equiordenação entre os órgãos de soberania». Diz, aliás, que o NAO nem sequer se encontra verdadeiramente em vigor, porque não foi ratificado por todos os Estados que o subscreveram (Angola e Moçambique, por exemplo), não estando, por isso, em vigor «na ordem jurídica internacional». E acrescenta que (transcrevo do jornal Público) «coloca em causa princípios e direitos consagrados na Constituição da República, como o “princípio da identidade nacional e cultural”, o “direito à Língua Portuguesa” e o “princípio da independência nacional devido às remissões para usos e costumes de outros países”». E, se um juiz do Supremo o diz, quem sou eu para o contradizer?

4 comentários

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    Anónimo 22.07.2015 11:30

    Extraordinário Artur Águas:

    Com todo o muito respeito que por si nutro, com a maior estima e consideração, devolvo-lhe o argumento... os apoiantes do sim ao acordo, acreditam ser detentores da razão, e, estarem a conduzir os restantes boçais ignaros, monárquicos e etc. para a luz da nova cultura e os benefícios da modernidade irreflectida... dá no mesmo, mas de sinal contrário!

    Aquilo que argumenta pode ser usado contra si!
    E o argumento da maldade em obrigar os jovens a usar consoantes mudas é bem fraco... não usam em inglês letras que não se dizem? Mas que estão lá por alguma razão.
    E, não será uma violência muito maior obrigar a uma larga maioria de velhos e gente de meia-idade que se criaram e foram educados, que aprenderam nas escola a escrever assim a mudar agora?

    Apoiar o acordo só porque os jovens teriam facilidade em escrever? Francamente Artur... e quantas gerações não aprenderam a escrever correctamente segundo a antiga grafia? Quantas?

    É que não me vejo do modo que refere, sendo embora a favor do não!

    Saudações discordantes cá da cidade morena.

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    Artur Águas 22.07.2015 12:00

    Caro Amigo: Agradeço o seu comentário até porque sou firme defensor do saudável que é o contraditório e o diálogo entre diferentes visões de uma mesma questão. Só assim se chega às melhores soluções. Confesso-lhe que me senti libertado quando há meia dúzia de anos deixei de ter de escrever consoantes que não leio. E não gostaria de voltar para trás.
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    António Luiz Pacheco 22.07.2015 12:17

    É sempre um prazer lê-lo, com ou sem consoantes, nisso sou concordante ...

    Um Grande e discordante abraço!
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